Publicações
Lista de publicações em livros em parceria com Emanuel Felizardo até o momento:
Manuela e as borboletas amarelas
Ano: 2015
Autor: Janilce Rodrigues
Ilustração: Emanuel Felizardo

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Como Argila na mão do oleiro
Ano: 2023
Organizador: João Baptista Mezzalita Filho
Ilustração de capa: Emanuel Felizardo

A história sobre os santos Volume I
Ano: 2024
Autor: César Augusto T. Berçott
Ilustração: Emanuel Felizardo

Joca e Fran em: O Código e o Tesouro
Ano: 2025
Autor: Sérgio Tarbes
Ilustração: Emanuel Felizardo
Quadrinhos autorais
Lucha é uma breve narrativa sobre conflitos internos e a necessidade de buscar uma versão renovada de nós mesmos.
A ideia original é de 2019. Agora redesenhada e divulgada ao público.
Técnica tradicional em bico de pena e tinta nanquim.

Lucha (2023)
Um garotinho chorando porque seu carrinho de brinquedo favorito quebrou.
E agora?
Uma breve narrativa em 2 páginas sobre dar valor ao que realmente importa.
Cura (2023)

SENDA Ilustrações de Emanuel Felizardo
Exposição realizada em 2024

Senda é uma via estreita; uma imagem que significa rumo, direção, rota. Expressão utilizada em diferentes contextos espirituais para designar um percurso de progressão interior.
Para Emanuel, o caminho de sua produção artística não difere do caminho pessoal. Após uma vida estudando desenho, experimentando as técnicas e os temas mais diversos, foi nos dois últimos anos que ele atingiu uma identidade artística, combinando um inconvencional amor pelo Japão ao amor pela sua própria família. O matrimônio e a paternidade tornaram concreto um sentido que antes só era conhecido na teoria. O serviço aos filhos e a contemplação de seu crescimento; a vivência do lar e as pessoas amigas que nele são acolhidas - tudo isso, em uma constante partilha entre cônjuges, desperta o olhar e a sensibilidade para coisas nunca antes percebidas. O desenho busca apenas materializar esses valores. Emanuel hoje, tendo mais clara a sua finalidade humana, possui também mais clara a senda que deseja trilhar - inclusive nas escolhas estéticas.
E sua relação com o Japão? Parece um pouco deslocado que o jovem nascido em Codó, criado em Sobradinho/DF, ponha hoje seu maior interesse artístico no país do outro lado do mundo. Há decerto um fenômeno na cultura brasileira entre jovens nascidos na década de 90, que é a popularização dos chamados “desenhos japoneses”, os animes. Emanuel, na infância, partiu daí, passou a adquirir também os quadrinhos (mangás), nos quais observava os traços com atenção. Hoje, adulto, percebeu que se voltar ao Japão vai além de uma moda adolescente. Há algo de profundo na construção de narrativas e de personagens daquele país: uma específica contemplação da beleza, da virtude e da natureza humana; jornadas heroicas de superação e sacrifício que nos falam a todos, individualmente. O objetivo do artista, contudo, não é idealizar o povo japonês, mas conhecer sua história e com ela aprender, inclusive em suas fragilidades.
A convite do Sola Coffee, cafeteria com temática japonesa localizada em Brasília, foi exibida a exposição SENDA. Confira a seguir o texto de apresentação e imagens do evento.


Cristão católico, Emanuel se debruçou ainda sobre a história do cristianismo no país - sobretudo por meio do autor Shusaku Endo - e descobriu outro abismo de interesses. Akira Kurosawa trouxe nova fonte de pesquisa, tanto cultural quanto imagética, consolidando no trabalho do ilustrador o uso do preto-e-branco e a criação de personagens e ambientações. A própria língua japonesa é fonte de pesquisa, quando se descobre que a origem dos kanjis traz, novamente, uma percepção muito profunda e acurada da realidade. A recente leitura de mangás se expandiu para autores mais clássicos, das décadas de 60 e 70, influenciando Emanuel em suas características representativas. Destaca-se aqui o traço cortante de Goseki Kojima em Lobo Solitário (1970-76), bem como o uso combinado de pincel e bico-de-pena para explorar possibilidades do nanquim. O Kamen Rider (1971-72) de Shotaro Ishinomori contribuiu com a diversidade de texturas minuciosas e com a complexa composição em cenas cheias de dinamismo. As publicações do mangaká Hiroshi Hirata associam tudo isso a ricos aspectos visuais no retrato dos costumes e da história de guerras no período feudal japonês. Por fim, é necessário mencionar Chiba Tetsuya em seu icônico Ashita no Joe (1968-73), que revolucionou o modo de Emanuel elaborar personagens e suas emoções. Senda, portanto, temos imagens onde a estética japonesa se combina à vida de um simples pai de família que observa.Que reflete sobre seu percurso e seu legado. Que vê algo sagrado nas coisas mais comuns e as celebra, agradecido. E que encara sua vocação como uma batalha espiritual contra o mundo e contra si mesmo - onde é necessário ser, ao mesmo tempo, bravo guerreiro e criança vivaz.
Texto por: Marina Manzur


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